31 de mar de 2018

Ciclos

31 de mar de 2018
eu sou um pacote completo
nunca só física
nunca só emocional
nunca só certa
nunca só errada
nunca só em pedaços
se eu não posso segurar a tua mão no shopping
ou estar nos almoços de domingo com a sua família
ou te chamar de meu
então você não pode se agarrar comigo
dentro do seu carro,
num estacionamento de um shopping
por mais que eu queira isso
se eu não posso estar com sua irmã
e seus primos
sua família
ou dizer espontaneamente que te amo
ou olhar no fundo dos seus olhos e sorrir
então você não pode chorar dizendo que sente muito
e que ainda sente tudo,
porque isso é uma escolha mais sua que minha
você não pode me ter em partes
eu sou inteira,
eu faço parte
se você não pode largar tudo e
vir me dizer que
“danem-se as consequências, eu quero estar com você”
eu só posso dizer

“fazer o que?”

a história se repete

E não é


É a incerteza. É o olhar atravessando a sala. É o medo. É a sua capacidade maior do que você pensa de me magoar e a minha vontade de me entregar mesmo sabendo o poder que você tem. É o arrepio quando vejo a sua notificação chegar. É o aperto no coração quando você manda um coração. São as minhas milhares de interpretações. É a minha mania de morder o lábio e a vergonha das olheiras, fruto de uma noite acordada pensando na conversa. A conversa que ainda não tivemos e que eu terei de puxar. É o frio de quando você não tá e não saber exatamente o que se passa aí dentro. É escutar a sua respiração pelo telefone. São as músicas que eu passei a gostar e as que eu voltei a ouvir. É o próximo passo e o fato de ele ser meu. É você, mas pode ser que para você não seja eu.

4 de out de 2017

Dá um tempo

4 de out de 2017
Faz um tempo que você se foi e eu fiquei aqui me perguntando os porquês. Já faz um tempo, mas eu continuo no mesmo lugar, eu não consigo andar. Já faz um tempo, mas meu cacto ainda não cresceu. Já faz um tempo, já consigo andar de novo. Já consigo andar, ainda que pouquinho. Ando e me pergunto os porquês. Faz um tempo, mas suas fotos permanecem no canto da minha prateleira, com a face voltada para baixo. Faz um tempo, mas não consigo olhar as fotos sem lembrar daquele tempo. Ando e me pergunto os porquês. Ando um pouco mais rapido, procurando onde foi que a gente se perdeu. Às vezes esqueço de procurar, às vezes canso de procurar. Faz um tempo, mas o tempo lá fora está tão nublado e eu lembro que em dias nublados ficávamos embaixo do cobertor vendo filmes. Faz tempo né. É. Faz tempo, meu cacto brotou novamente e eu virei sua foto para cima de novo. Já consigo andar normalmente, não fico procurando os porquês. Consigo falar. Falar com você. Faz tempo e pouca coisa mudou, mas eu ainda encontro paz nos seus olhos. Já não passo meus dedos pelos seus cabelos, já não tenho aquela liberdade, mas ainda fico boba com o sei sorriso. Faz um mês e eu ainda espero a semana acabar para te ver no fim de semana, mesmo sabendo que provavelmente não vai acontecer. Faz tempo e eu ainda te amo. Pouco mudou, incluindo o fato de que agora também me amo. Te amo, porque o amor não acaba, nem por acabar, nem porque faz tempo.
- 04/10/17 (pissenlit)

27 de mar de 2017

Volto logo.

27 de mar de 2017

Eu não sei dizer adeus. Eu fico fingindo que vou te ver nos finais de semana. E quando os finais de semana chegarem, eu provavelmente vou fingir que, na verdade, era no final de semana seguinte. Eu fico fingindo que vou poder te ligar, toda vez que eu me deparar com algo incrível, interessante, diferente ou algo que você gostaria de ver, mas eu sou impedida por quatro horas de diferença. Eu fico sentindo falta das vezes que eu ouvia você me dizendo boa noite pois precisava acordar cedo e eu ficava chateada, pois era você que sempre desligava primeiro e eu não queria entender que você tinha aula e eu não – você não me dá boa noite com tanta frequência agora, quando chega próximo da minha hora de dormir você ainda está voltando da aula. Eu fico querendo mandar mensagem a toda hora que eu encontro algo que é a sua cara, mas, dessa forma, eu ficaria na expectativa da resposta, que chegaria tão tarde. Eu fico olhando para os lugares e para as pessoas e vendo você, te escutando em conversas e te sentindo no meu singelo abraço ao ursinho de pelúcia quando vou me deitar. Eu fico te buscando em vão, pois sei que você está à uns 8609.31 quilômetros de distância. Eu fico fingindo que não estou sentindo saudades para, assim, doer menos, mas toda vez que finjo que não, me dói no coração um “sim”. Sim! É claro que sinto saudades. Eu só penso nas suas mãos deslizando por minhas costas em um abraço apertado. Eu só imagino o seu carinho e a sua risada. Como não sentir saudade da risada mais deliciosa do mundo? Essa risada que poderia atravessar os oceanos e encontrar o meu sorriso. Queria eu que as distâncias na vida fossem tão pequenas quanto nos mapas. Que a escala e fusos fossem uma distância de fachada. Coisas que aprendemos em geografia e não usaríamos pelo resto da vida, parecido com aquelas contas, com a álgebra (você me olharia feio se eu falasse isso perto de você). Queria eu não sentir tanta falta, seria mais fácil. Mas amor nunca foi sobre o caminho fácil. Nem os sonhos. Muitas vezes eles não coincidem a menos que façamos com que coincidam à nossa maneira. Eu não sei dizer adeus. E nem quero. E Nem vou. Claro. Eu volto logo. Até lá imagino que vou te ver nos finais de semana. E no seguinte. E no próximo. Até eu voltar. Eu volto logo.